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A construção civil e o meio ambiente – Convivência necessária para um futuro sustentável

A construção civil é um dos setores econômicos que causam vários impactos ambientais no desempenho das suas funções. Estes podem ser desde o consumo inadequado de recursos naturais para produção de insumos, mudanças na conformação dos terrenos, intervenção em áreas verdes, impactos no som, na ventilação e iluminação naturais, nos recursos hídricos e até reflexos no consumo de energia elétrica.

Muitos destes impactos são causados para que a indústria da construção civil continue se desenvolvendo e alavancando o crescimento econômico e social do país, porém, devem ser discutidos amplamente e de forma crítica por todos envolvidos, sejam empresários, investidores, governos, entidades de classe e de normatização, para serem atenuados, mitigados ou até eliminados.

Os efeitos destes impactos no meio ambiente podem se manifestar de várias formas. Veja abaixo alguns deles:

Ruídos – Percebidos durante as obras e no posterior funcionamento de algumas construções;

Aumento do consumo de energia – Durante a execução das obras e posteriormente no uso delas, incluindo o desperdício de energia;

Uso inadequado de recursos hídricos – O desperdício da água é um dos impactos ambientais mais sentidos nessa indústria, as mudanças em depósitos hídricos naturais (dependendo da localização da obra e condições de drenagem) podem ser responsáveis por afetar os lençóis freáticos;

Poluição – Aumenta quando as leis e normas técnicas de emissões não são respeitadas;

Mudanças climáticas – Grande preocupação mundial, ligada à emissão de gases de efeito estufa;

Geração de resíduos – É um dos segmentos que mais geram resíduos no desempenho das suas atividades.

A preocupação com o meio ambiente e com o desenvolvimento social devem ser os motivadores para as transformações e para a adoção de atitudes sustentáveis em todo o processo das construções, sejam elas residenciais, comerciais, industriais ou de infraestrutura.

Algumas destas mudanças de atitudes e procedimentos podem, e devem, gerar retorno financeiro, social e ambiental, como por exemplo, a reutilização e reciclagem dos resíduos e restos de materiais de construção e demolição, os RCC.

Edificações mais sustentáveis são fundamentais para a sociedade pois preservam o meio ambiente, as questões sociais e promovem o crescimento da indústria da construção com maior preservação dos recursos naturais.

Ao focar na implementação destas melhorias, o setor pode evoluir muito, gerando economia, bem-estar e saúde para hoje e as futuras gerações.

Veja algumas atitudes importantes para tornar uma construção sustentável:

  • Mudança de conceitos nos projetos de arquitetura e engenharia convencionais, reduzindo retrabalhos e demolições;
  • Pensar em médio e longo prazo por meio do planejamento detalhado da obra;
  • Procurar explorar a eficiência energética buscando alternativas como uso de energias renováveis;
  • Uso adequado da água e o seu reaproveitamento;
  • Permitir a permeabilidade do solo;
  • Uso de materiais e técnicas construtivas sustentáveis;
  • Gestão dos resíduos sólidos – RCC;
  • Aumento do uso da iluminação e ventilação naturais.

Estas melhorias necessitam de diversas iniciativas para se consolidarem, algumas delas são: investimentos, planejamento, projetos mais inteligentes, utilização de novos materiais e novas metodologias na execução das obras. Porém, elas necessitam, acima de tudo, de vontade política para gerar as mudanças de paradigmas.

Neste quesito, os poderes públicos que geram as legislações e realizam as fiscalizações, apoiados pelas entidades de classe profissionais, têm um papel primordial como vetores e incentivadores das mudanças.

Construção sustentável

Estas atividades devem sempre estar sob responsabilidade técnica de profissionais habilitados de engenharia e arquitetura, devidamente registrados nos seus conselhos profissionais: CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia para os profissionais da engenharia, CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo para os arquitetos e urbanistas. Assim como a respectiva emissão da ART – Anotação de Responsabilidade Técnica no caso de profissionais da engenharia e da RRT – Registro de Responsabilidade Técnica para arquitetos e urbanistas.


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